
RUPTURAS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E O CAPITAL SOCIAL COMO ALTERNATIVA
(tópicos estruturantes)
Apresentação: Dejalma Cremonese
1. A Modernidade (séc XVI-XVIII) (o desencantamento do mundo)
1.1 Antropocentrismo – Humanismo
1.2 Reforma Protestante
1.3 Racionalismo
1.4 Ciência – Técnica – Progresso
1.5 Navegação – Atlântico – Conquista do Ocidente
1.6 Heliocentrismo
1.7 Ascensão da burguesia – inicio do capitalismo
1.8 Formação dos Estados Nacionais Modernos
1.9 Revoluções Liberais: a era dos direitos (surge o indivíduo)
1.10 O Iluminismo
1.11 A Revolução Industrial
1.12 Os “desconstrutores”da modernidade
2. O Pós-moderno (Modernidade tardia, “reflexiva” ou “Segunda modernidade”
2.1. Sociedade em crise/transformação
- Crise das instituições e dos valores da modernidade (perda de legitimidade da modernidade)
- sem projetos (sem começo, meio e fim)
- Crise dos grandes discursos (perda da credibilidade das metas-narrativas - grandes narrativas: religião, ciência, política, economia, educação (professores desesperados) - crise de legitimidade)
- perdemos o rumo - desbussolados: “Não me siga, também ando perdido...” (frase de pára-choque de caminhão)
- desespero total, da liberdade para a angústia, neo-religiões, livros de auto ajuda...
- Séc. XX, século da desconstrução: Marx, Nietzsche, Freud, Lacan, Schopenhauer, Heidegger
- Não é o fim do mundo: é o fim de um mundo.
2.2. Sociedade da tecnologia/informação
- desenvolvimento científico e revoluções tecnológicas (transporte, medicina, explosão das biotecnologias, com a formatação do ser humano (Sloterdijk, 2000).
- a era da informação (estamos todos conectados: computador, internet, redes sociais, MSN, celulares...). (há pouco tempo tínhamos o rádio, o jornal, a igreja, a escola...)
- incertezas constantes, não conseguimos acompanhar os acontecimentos, sentimento que estamos ficando para trás.
2.3 Sociedade do individualismo e do hiperindividualismo
- Enfraquecimento dos laços comunitários: (G. Simmel, 1858-1918).
- o individualismo que conduziu a perda do sentido (desaparecimento dos ideais e recentramento sobre si mesmo).
- o hiperindividualismo (rejeição aos determinismos sociais), cada um constrói a sua identidade pessoal, escapando aos determinismos sociais de qualquer natureza, não há mais referências preestabelecidas, mas sim um arbítrio individual.
- o hiperindividualismo (apelo à iniciativa pessoal) se contrapõe aos espaços sociais das identidades coletivas. Cada um é convocado a ser realizador em todos os domínios
- cria-se uma “ilimitada propriedade do eu” ainda que aja um empobrecimento do espaço interior (C. Haroche, 2008)
- o indivíduo perde os pontos de apoio indispensáveis ao seu enraizamento psíquico, à construção de si próprio como sujeito (p.18).
- A “absolutização do eu” e a “cultura do narcisismo” (C. Lasch, 1979)
- hedonismo: estimulam ao homem “gozar sem limites” (C. Melman, 2002)
- A sociedade contemporânea é caracterizada pela: complexidade, desordem, interdeterminação, e incertezas.
- Mesmo vivendo entre multidões, há um sentimento tremendo de solidão
2.4. Sociedade da pressa/ativismo/velocidade
- Ativismo: o homem atual é um homem pragmático (fazer). Inúmeras atividades durante um dia apenas: do amanhecer até a madrugada
- "Estado F" - frenético e furioso (Edward Hallowell) (é preciso desacelerar: substituir o fast (rápido) pelo slow (devagar): diminuir o ritmo da vida, não ter tanta pressa, onde queremos chegar afinal?
- Prazer culposo: achar tempo para o lazer...
- Ontem, tudo era lento, hoje o tempo voa: num passado recente a vida caminhava bem mais lentamente, resistia a aceleração. (parece que o dia já não tem mais 24 horas)
2.5. Sociedade/Vida líquida: vulnerabilidade e volatilidade (Bauman)
- As relações Líquido-moderna são encontradas nas ações, rotinas, valores, modos de ser que mudam rapidamente. Tudo envelhece rápido demais, tudo é muito efêmero... (tudo o que é sólido se desfaz no ar)
- Fragilidade das relações: assim como alugamos casa, carro, roupas estamos alugando relações. Para relações de aluguel não é preciso ter cuidado.
- Ligações frouxas e compromissos revogáveis são os preceitos que orientam tudo aquilo em que se engajam e a que se apegam: as pessoas passam rapidamente por nossas vidas. Relações comerciais...(dificuldade de manter uma relação: casamento, amizade...)
- precariedade extrema dos vínculos sociais, contrastando com a “solidez” das instituições do mundo industrial.
- relações sociais vividas sob o modo de instantaneidade, sob o signo do efêmero.
- Sociedade do descarte: descarte dos bens, das relações pessoais, das próprias pessoas.
- Exemplo da “dança das cadeiras”: a vida na sociedade líquido-moderna é uma versão perniciosa da dança das cadeiras, jogadas para valer. Alguém será excluído inexoravelmente a cada rodada.
- Mudanças repentinas (dificuldade de planejar – ter um projeto de vida)
2.6. Sociedade do consumo e da insatisfação
- “As pessoas usam dinheiro que não têm, para comprar coisas de que não necessitam, para impressionar pessoas que não conhecem e mostrar algo que não são....” Oystein Dahle.
- Insatisfação: “a sociedade de consumo consegue tornar permanente a insatisfação” (Bauman). Quanto mais consumimos, mais insatisfeitos e vazios ficamos. Sociedade insatisfeita (Agnes Heller). Como se pode estar satisfeito em uma sociedade insatisfeita? Podemos estar satisfeitos com nossas vidas desde que consigamos transformar nossa contingência em auto-determinação (p.48).
- Hoje, não temos mais profissões: não somos professores, agricultores, pais e mães, mas consumidores... (Eu sou aquilo que consumo)
- O consumir compulsivamente pode ser considerado uma doença, pois, afirmar-se pelo consumo, é uma compensação. Exemplo: _Ah! Se estou depressiva vou às compras. Os riscos do consumismo compulsivo: sofrimento, dívidas (nem pagou as contas antigas e já obtém novas, 65% das famílias brasileiras estão endividadas).
- Quanto maior o consumo menor é a felicidade. O tamanho das casas duplicaram nos últimos anos (suítes, closet, salas que ninguém senta...). Quanto maior o castelo, maior o vazio e a solidão. Vivemos a sociedade da felicidade declinante
- Dívidas crescentes: As famílias estão trabalhamos mais para consumir mais, conseqüentemente, estão se endividamos mais, por isso temos que trabalhar mais para pagar as dívidas e consumir mais ainda (circulo vicioso). Mais de 65% das famílias brasileiras estão endividadas. O montante de suas dívidas chegam a 4 vezes o ganho do seu salário mensal. Por outro lado temos menos tempo para que é importante (família, amigos...)
2.7. O paradoxo do sobrenatural (confusão religiosa)
- Não acredita em nada, espaço vazio... pode andar para qualquer lado
- Por outro lado há uma volta da religiosidade sob uma forma particular; eu tenho o meu Deus, a minha crença...
- Por um lado vive-se o presente: as pessoas vivem o presente pelo presente (satisfação a qualquer custo... O mundo é aqui e o agora, mas ao mesmo tempo sentem-se órfãos de algo, pois este mundo não é o definitivo... Por isso são permeados pela insatisfação permanente...). Velocidade e não duração é o que importa. Com a velocidade certa, pode-se consumir toda a eternidade do presente contínuo da vida terrena. A vida era humilde ou empobrecida, almejava-se a eternidade. Hoje, com o bem-estar material as pessoas não querem morrer... Querem aproveitar o máximo da vida neste plano físico... A eternidade é aqui... Não temos mais esperanças eternas... (as esperanças pelo infinito foram descartadas...)
- Por outro lado há uma sede do sagrado - Vale tudo religioso: se as coisas/objetos materiais não resolvem, busca-se o sobrenatural/espiritualidade sem critérios: somos materialmente ricos, resolvemos as questões materiais, mas espiritualmente empobrecidos, famintos e cansados. Se, materialmente não são realizados, buscam de forma frenética algo sobrenatural que lhes dêem sentido. Por isso a moda do budismo, ioga, zen, contemplação, pirâmides, pedras (energias). Mao não é mais suficiente.
2.8. O culto à imagem/aparecer (Sociedade do espetáculo)
- Uma imagem vale mais que mil palavras
- Não mais o Ser ou o Ter, mas o Aparecer: vive-se uma sociedade que cultua a beleza a qualquer custo. É preciso seguir um padrão de beleza. Padronização de narizes, seios e nádegas. Obsessão pela beleza: academias, gastos bilionários com operações plásticas...). Muitas vezes o problema é de essência e não de aparência.
- Dieta e lipoaspiração: Por isso, uma nova e aperfeiçoada dieta, os aparelhos de ginásticas, aumento ou redução dos seios, um nariz novo, uma barriga, ou uma nádega nova, uma bebida, um sofá, um celular, um carro, uma casa, um marido ou mulher nova... Se nada disso adiantar as drogas (faz sentir a eternidade aqui e agora) podem resolver o vazio emocional e existencial...
2.9. O estresse generalizado
- uma sociedade estressada. O estresse acaba causando doenças psicossomáticas, doenças que acometem o corpo e a mente. Causam transtornos físicos e emocionais.
- Aumenta o consumo de medicamentos: psicotrópicos, as chamadas pílulas da felicidade).
- Transtorno psíquico: 50% das pessoas já desencadearam algum tipo de transtorno psíquico.
- Câncer: estudos apontam que até 2020 1 em 4 pessoas vai desenvolver algum tipo de câncer.
- Os sintomas psicossomáticos advém das emoções, da competição, do estresse do dia a dia geram: dores de cabeça, queda de cabelo, diarréia, dores no peito, insônia, síndrome de pânico, ansiedade, depressão, insatisfação com a vida, suicídio...).
- Liberar as emoções: “Se a emoção não se libera, vai agarrar-se aos órgãos, perturbando seu funcionamento. O desgosto que se pode exprimir por meio de gemidos e lágrimas é rapidamente esquecido, enquanto que, o sofrimento mudo, que remói incessantemente o coração, termina por abatê-lo”. Escrevia MAUDESLEY há mais de 100 anos.
3. O capital social como alternativa
