Sou
Dejalma Cremonese, nasci no dia 7 de dezembro de 1968 no Centro-Serra
do Rio Grande do Sul, mais precisamente no município de Arroio
do Tigre (a uma distância de 243 Km de Porto Alegre). Sou o décimo
terceiro filho de uma família de pequenos agricultores e realizei
meus primeiros estudos (Ensino Fundamental) em uma escola interiorana
da rede pública (1976-1983). A continuidade dos estudos só
foi possível graças ao meu ingresso no Seminário
Diocesano de Santa Maria – RS, onde concluí o Ensino Médio,
mais o curso propedêutico (1984-1987).
Formação em graduação:
Continuando os estudos, graduei-me em Filosofia (Licenciatura e Bacharelado)
pela Fafimc de Viamão – RS (1988-1990). Ao retornar a Santa
Maria, cursei ainda 2 anos do curso de Teologia (1991-1992) no Seminário
Máximo Palotino, hoje FAPAS. Minha Pós-Graduação
foi em “Pesquisa Científica” (nível de Especialização)
na antiga FIC (1993-1994), hoje Unifra. Logo após iniciei o Mestrado
em Filosofia pela UFSM, o qual concluí em 1997. Quase uma década
depois, em 2006, concluí o Doutorado em Ciência Política
pela UFRGS.
Vínculos
anteriores: Minha
atuação profissional iniciou em 1994 como professor nas
turmas secundaristas do Colégio Sant’Anna, em Santa Maria
lecionando as disciplinas de Introdução a Filosofia
e Ensino Religioso. Como professor universitário,
lecionei no Ensino de Graduação da FIC (hoje Unifra) em
Santa Maria nos seguintes componentes curriculares: Antropologia
Filosófica e Filosofia da História; também
atuei como professor substituto na UFSM no ano de 1995 no Curso de Educação
e Educação Especial nos seguintes componentes curriculares:
Sociologia da Educação e Sociologia da Educação
brasileira; fui professor da Universidade de Cruz Alta (Unicruz)
no período de 1997-2002 nos seguintes componentes curriculares:
Cultura Brasileira, Ética, Filosofia, Filosofia da Educação,
Filosofia da História, Realidade Brasileira, Sociologia e
Sociologia do Turismo. No ano de 1998 até julho de 2009
exerci atividades acadêmicas na Universidade Regional do Noroeste
do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí). Nesta Universidade,
fui professor Associado 1 (40 horas), atuando no Programa de Mestrado
em Desenvolvimento na Linha de Pesquisa: Direito, Cidadania e Desenvolvimento
e, também atuando no Departamento de Ciências Sociais da
mesma Universidade nos seguintes componentes curriculares: Ciência
Política e Teoria do Estado, Comunicação e Sociedade,
Políticas Públicas I, Políticas Públicas
II, Sociedade, Política e Cultura, Teoria do Estado Contemporâneo
e Teoria Política. No Mestrado em Desenvolvimento lecionou
a disciplina Estado e Sociedade no Brasil. Em nível
de Pós-graduação lecionou as disciplinas de
Ciência política e políticas públicas,
Teoria do Estado contemporâneo, Teoria do Estado
e políticas públicas no Pós
Graduação em Humanidades e Contabilidade Pública.
Foi Coodenador de Curso de Sociologia e Coordenador de
Núcleo de Sociologia do Departamento de Ciências Sociais
da Unijui.
Vínculo
atual: Desde julho de 2009 atuo no Instituto de Sociologia
e Política da UFPEL nos seguintes Componentes Curriculares ministrados
em diferentes cursos (nível de graduação): Ciência
Política IV, Introdução a Ciência Política,
Introdução a Ciências Sociais, História do
Pensamento Político brasileiro. Em nível de Pós-graduação
em Sociologia Política leciono a disciplina Estado, Sociedade
e Modelos de Desenvolvimento no Brasil.
Projetos
de Pesquisa (anteriores)
Título:
Padrões de participação político-social
em âmbito local: um estudo da cultura política de Ijuí
RS (2004-2006)
Resumo: O objetivo desta pesquisa foi examinar os níveis de participação
político-social do município de Ijuí – Noroeste
do Estado do Rio Grande do Sul. A hipótese principal é
que práticas cada vez menos recorrentes de ações
cívicas (participativas, associativas e de confiança)
entre os membros da comunidade nas últimas décadas constituem
a principal causa da variação negativa do capital social
do município. O referencial teórico e metodológico
utilizado nesta tese segue a abordagem do capital social, proposta por
Robert Putnam. A segunda parte deste estudo analisa os resultados do
survey aplicado no ano de 2005 (400 entrevistas). A comparação
longitudinal entre o survey 2005 com o de 1968, indica o declínio
de manifestações cívicas com a diminuição
da participação política convencional; altos índices
de desconfiança; redução do associativismo e cooperação.
Estes resultados comprovam a hipótese central da variação
negativa do capital social em Ijuí.
Título:
O Massacre do "fundão": memória, oralidade
e resistência - uma história de perseguição
e morte na comunidade dos Monges Barbudos no Centro-Serra do Rio Grande
do Sul (2002-2004)
Resumo: O agrupamento de camponeses de origem cabocla, na maioria unidos
em torno de um ideário místico-religioso, sob a liderança
carismática do monge João Maria, desencadeou na formação
de uma das principais “comunidades religiosas” com aspirações
messiânicas do Estado do Rio Grande do Sul do século passado.
Trata-se da comunidade denominada de “Monges Barbudos”,
que se organizou na segunda metade da década de 30 no interior
do município de Soledade (RS). Tendo o seu maior bem, a terra,
ameaçada, os caboclos começaram a resistir, e a principal
forma de resistência foi sob a forma religiosa, fator de identidade
para os mesmos. Com a prática de religiosidade popular (benzimentos,
novenas, procissões, excelências, adorações
a santos populares), a liderança do movimento conseguiu aglutinar
todos os desejos, aspirações e esperanças dos demais
integrantes. A “solução” encontrada pelos
temerosos foi a delação ao Poder Público. O aparato
coercivo do Estado não tardou a chegar e, juntamente com os colonos
e “bodegueiros” armados, colocaram um ponto final no movimento,
com perseguições, torturas, estupros, ameaças,
constrangimentos e, mesmo a morte dos principais líderes do movimento
e de membros da comunidade.
Título:
A democracia segundo a filosofia política de Noam Chomsky
(2000-2001)
Resumo: Noam Chomsky, considerado um dos mais importantes intelectuais
vivos dos EUA, por ter revolucionado a lingüística nos anos
cinqüenta (1950) e desenvolver, igualmente, uma ativa militância
política e social. Chomsky atuou também em outras áreas,
como na Guerra Fria, na política norte-americana, no Vietnã,
na América Central e na Ásia Ocidental. Procurou interagir
com os movimentos de paz e solidariedade do Terceiro Mundo. É
conhecido como crítico da mídia, dos jornalistas e dos
acadêmicos que elaboram ideologias compatíveis com o poder
dominante e, pela desvirtuação da informação,
na tendência das partes não passarem realmente a verdade
ao povo.
Título:
Neoliberalismo e tendências regionais (1998-1999)
Resumo:
Desde as suas origens o capitalismo tem passado por constantes crises.
Por vezes pregava-se o livre mercado (não-intervenção
do Estado na economia), noutras ocasiões pedia-se a sua intervenção,
vide a crise de 1929. Para salvar o sistema econômico da época,
o Estado intervencionista, de inspiração keynesiana, foi
acionado. Nos anos 70, no entanto, este modelo entrou novamente em crise.
A partir daquela década, um novo ciclo se constitui: a volta
do livre mercado (liberalização financeira) e da não-intervenção
do Estado, sustentado a partir das teorias de Hayek e Friedman. Este
modelo foi denominado de neoliberal. A teoria neoliberal defendia a
volta dos princípios do liberalismo clássico do século
18, do laissez-faire (livre mercado), além de reformas estruturais
propostas por instituições internacionais como o Fundo
Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Fazia parte
deste programa de reestruturação (ajustes), as reformas
administrativa e previdenciária, que exigiram um rigoroso esforço
de equilíbrio fiscal, além da redefinição
do papel do Estado na economia (desregulamentação econômica).
Por desregulamentação econômica entendia-se a tentativa
de reduzir o tamanho do Estado, quebrar a coluna dos sindicatos, cortar
os gastos sociais, liberar o mercado financeiro e abrir as comportas
para o livre fluxo de bens e serviços. Ao contrário do
que seus defensores alardeavam, as políticas neoliberais trouxeram
recessão econômica, ingresso do capital externo, desemprego,
aumento do trabalho informal, conflitos sociais, flexibilização
dos direitos trabalhistas, precariedade e, ao mesmo tempo, o desmonte
dos sistemas de seguridade social, saúde e educação.
As práticas neoliberais não fracassam apenas nas questões
sociais. Sustentado em bases um tanto frágeis, economia virtual
e especulativa (capitalismo de cassino), o modelo neoliberal tem enfrentado,
novamente, uma crise sem precedentes, uma das maiores do capitalismo
em âmbito global dos últimos tempos.
Projeto de Pesquisa Atual
Título:
Capital social, cidadania e Desenvolvimento regional no Rio Grande do
Sul: um estudo comparativo entre regiões (2007-2011)
Resumo:
O presente projeto de pesquisa tem como objetivo geral analisar e comparar
os resultados de uma pesquisa comparativa (survey) realizado
em diferentes cidades do estado do Rio Grande do Sul (Porto Alegre,
Novo Hamburgo, Sananduva, Ijuí, Pelotas e Santa Maria), entre
os anos de 2005 e 2010. A partir das análises dos resultados
da pesquisa, será possível estudar as desigualdades regionais
e a pobreza a partir da formação social, cultural e política
da sociedade nas diferentes cidades mencionadas; Identificar o papel
das políticas públicas no desenvolvimento regional; Elaborar
indicadores que possibilitem a avaliação da percepção
da sociedade a respeito da sua situação social, econômica,
política e ambiental e, por fim, elaborar e / ou adaptar os indicadores
consolidados para a análise e avaliação do desenvolvimento
regional. As questões atinentes à pesquisa empírica
aplicadas nos referidos municípios levaram em conta opiniões
referentes ao capital social (confiança, participação
política, associativismo e cooperação) e ao desenvolvimento
(IDH, níveis de educação e renda e qualidade de
vida). Os dados foram colhidos nas seguintes cidades do estado do Rio
Grande do Sul com seus referidos Coredes: Novo Hamburgo (Corede Vale
do Rio dos Sinos), Sananduva (Corede Nordeste), Ijuí (Corede
Noroeste Colonial), Porto Alegre (Corede Metropolitano Delta do Jacuí)
e Pelotas (Corede Sul). A pesquisa foi realizada por um grupo de pesquisadores
interinstitucional, tendo a coordenação do Professor Dr.
Marcello Jacome Baquero (UFRGS). Integraram-se ainda ao projeto os professores:
Dr. Everton Rodrigo Santos (CPP/Feevale); Hemerson Luiz Pase (Fundação
Estadual de Pesquisa Agropecuária, FEPAGRO) e, Dejalma Cremonese
(Unijuí). É importante mencionar que os resultados da
referida pesquisa encontram-se organizados e computados no Banco de
Dados do Programa SPSS. Alguns conceitos serão centrais para
que a análise dos resultados seja eficiente. Por isso a necessidade
de rever a literatura, especialmente o tema capital social e desenvolvimento
regional. O conceito de capital social começou a aparecer recentemente
na literatura acadêmica. O tema obteve uma rápida repercussão
e aceitação entre os cientistas sociais. Apesar da relativa
popularidade da temática, porém, não se pode definir
o conceito de capital social como se fosse homogêneo, pois o mesmo
envolve um conjunto de valores sociais que promovem tanto a ação
individual quanto a ação coletiva. Neste sentido, sua
definição é problemática; por isso, o entendimento
conceitual e teórico do capital social continua a se desenvolver.
Assim, há muitos entendimentos do que seja capital social, o
que causa certa “confusão” justificável sobre
o que o constitui. Isso porque teóricos utilizam palavras diferentes
para conceituar capital social, as mais usuais são: energia social,
espírito comunitário, laços sociais, tecido social,
virtude cívica, confiança, redes associativas, relações
horizontais, vida comunitária, normas sociais, redes informais
e formais (bonding, bridging, linking), reciprocidade, bem comum e pró-atividade.
Já o desenvolvimento regional pode ser definido de duas formas
distintas: (i) como processo de transformação social e
econômica de uma determinada região; (ii) como estágio
ou situação social, econômica, política,
cultural e ambiental relativamente a outras regiões, cuja mensuração
e comparabilidade pode ser realizada por indicadores específicos.
Um indicador considerado relevante para essa análise é
o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, formulado pelo
PNUD da ONU, que mensura três variáveis: renda, educação
e expectativa de vida ao nascer. Outro importante indicador, inspirado
no IDH, é o Índice de Desenvolvimento Socioeconômico
– IDESE, formulado pela FEE, cuja avaliação ocorre
a partir de 4 variáveis: renda, educação, saúde
e saneamento e domicílios. Hipóteses a serem comprovadas
a partir do projeto: a) Quanto maior o estoque de capital social e mais
democrática a cultura política, melhor e mais efetivo
é o empoderamento cidadão e o desenvolvimento regional.
É possível construir capital social a partir de políticas
específicas para este fim.
Linha
de Pesquisa: Atualmente o meu eixo de eixo de pesquisa está
centrado nos temas da Democracia (teoria e processos democráticos),
Cultura Política (Capital Social) e Comportamento Político.