A
vocação governista do PMDB - artigo postado
no jornal virtual http://www.ijuhy.com/
06-03-09
A
máxima política que diz “se hay gobierno soy
contra” pode ser facilmente invertida na ótica peemedebista
para “se hay gobierno soy a favor”, tal a vocação
governista (fisiológica) e adesista do partido.
O maior
partido do Brasil
Provindo do
antigo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido de
oposição durante a ditadura militar (1964-1985), o
PMDB é, nos nossos dias, o maior partido brasileiro. Possui
96 deputados federais – a maior bancada no Congresso Nacional,
administra o maior número de estados, no total de 8 governadores
(SC, PR, MS, RJ, ES, TO, AM) e 5 vice-governadores e, já
chegou a governar 22 estados federados. É a primeira força
no Senado Federal com 19 senadores. Possui 172 deputados estaduais,
administra 6 prefeituras de capitais, além de 1.201 prefeituras
por todo o Brasil (em torno de 20%), 910 vice-prefeituras, 8.497
vereadores eleitos e conta com um milhão e oitocentos mil
filiados. Em 2008, eleições para prefeito e vereador,
foi o partido que mais votos recebeu em todo o Brasil, forma nada
menos do que 22.922.343 votos.
Várias
ideologias dentro de um só partido
No espectro
político, o PMDB se situa no campo ideológico de centro,
ou seja, procura manter o status quo (situação vigente),
fazendo “reformas” para deixar as coisas como estão.
Muitas são as facetas do partido: quando falamos do PMDB
do Simon ou do Rigotto (Sul), do Quércia, Garotinho e Cabral
(Sudeste), ou do Sarney, Temer e Calheiros (Norte e Nordeste), estamos
falando de diferentes peemedebês. No entanto, as decisões
tendem a ser unânimes quando estão em jogo os interesses
do partido.
O fisiologismo
do PMDB
O fisiologismo
não é uma particularidade apenas do PMDB; no entanto,
é o partido em que mais transparece tal característica
por buscar, de qualquer forma, a manutenção do poder,
independente de quem esteja no poder. Entende-se o termo “fisiologismo”
como a conduta ou prática de certos representantes e servidores
públicos que visa à satisfação de interesses
ou vantagens pessoais ou partidários, em detrimento do bem
comum. Ou seja, o fisiologismo está muito próximo
do clientelismo político que é um tipo de relação
de poder em que as ações políticas e decisões
são tomadas em troca de favores, favorecimentos e outros
benefícios a interesses individuais. Esta realidade tão
evidenciada no meio político peemedebista foi até
denunciada pelo senador Jarbas Vasconcellos do próprio PMDB
(PE). No entanto, a força política de Renan Calheiros
e Sarney deram a resposta ao eleger Fernando Collor como presidente
da Comissão de Infraestrutura, derrotando a senadora petista,
Ideli Salvatti. Importante dizer que esta Comissão estará
no centro do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), a peça-chave da campanha sucessória da ministra
Dilma Rousseff. Quem diria Collor fazendo propaganda para o Governo
Lula... Inimigos ontem, amigos hoje, é o fim dos tempos...
Não acredito que as denúncias de Jarbas Vasconcellos
surtirão efeito dentro do próprio PMDB e faça
com que a sigla mude de postura. Afinal, como nos diz o Senador
Valter Pereira (PMDB-MS) em discurso de defesa do seu partido “qual
o partido que não esteve enredado em corrupção?...
Em outras palavras, “se todos fazem, por que vamos deixar
de fazer?” O PMDB também é conhecido como “partido
ônibus” ou “Catch All” (cata tudo), não
pune os dissidentes, nem corruptores, nem acusadores...
Ninguém
governa a nível Federal sem a força do PMDB
Fisiologista
ou não, o certo é que nenhum partido que chegue ao
poder hoje, no Brasil, pode prescindir da participação
do PMDB. Aliás, o partido está ali para isso mesmo.
A vocação governista do PMDB vem de longa data. Desde
a abertura democrática em 1985, com Sarney, bem como na expressiva
vitória do partido em 1987, elegendo 21 governadores em todo
o Brasil. O PMDB esteve no poder com Itamar Franco (que começou
sua carreira política no antigo MDB, embora tivesse passado
pelo PL e ingressado, mais tarde, no PRN, para ser vice de Collor
de Mello em 1989), assumiu a presidência após o impeachment
de Collor. Em seguida, o PMDB apoiou incondicionalmente o governo
de FHC (nos dois mandatos) e, agora, ocupa um espaço privilegiado
no governo Lula, tendo a administração de 6 ministérios.
O PMDB volta a presidir os dois espaços políticos
mais importantes do Brasil: a Câmara Federal com Michel Temer
(SP) e o Senado com José Sarney (AP).
Perspectivas
para as eleições 2010
Dependerá
do momento político, o PMDB vai escolher qual o partido que
estará mais fortalecido e qual partido tiver maior força
popular: o PSDB ou o PT. Em outras palavras, acredito que, bem provável,
em 2010, o PMDB nem venha a lançar candidato à presidência
da República, ficará na cômoda posição
de apoiar o novo presidente eleito. Claro, para isso, pleiteará
os cargos que achar necessários para continuar onde sempre
esteve, no poder.