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Data da última Atualização: 10.03.2009 10:34

A vocação governista do PMDB - artigo postado no jornal virtual http://www.ijuhy.com/ 06-03-09

A máxima política que diz “se hay gobierno soy contra” pode ser facilmente invertida na ótica peemedebista para “se hay gobierno soy a favor”, tal a vocação governista (fisiológica) e adesista do partido.

O maior partido do Brasil

Provindo do antigo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido de oposição durante a ditadura militar (1964-1985), o PMDB é, nos nossos dias, o maior partido brasileiro. Possui 96 deputados federais – a maior bancada no Congresso Nacional, administra o maior número de estados, no total de 8 governadores (SC, PR, MS, RJ, ES, TO, AM) e 5 vice-governadores e, já chegou a governar 22 estados federados. É a primeira força no Senado Federal com 19 senadores. Possui 172 deputados estaduais, administra 6 prefeituras de capitais, além de 1.201 prefeituras por todo o Brasil (em torno de 20%), 910 vice-prefeituras, 8.497 vereadores eleitos e conta com um milhão e oitocentos mil filiados. Em 2008, eleições para prefeito e vereador, foi o partido que mais votos recebeu em todo o Brasil, forma nada menos do que 22.922.343 votos.

Várias ideologias dentro de um só partido

No espectro político, o PMDB se situa no campo ideológico de centro, ou seja, procura manter o status quo (situação vigente), fazendo “reformas” para deixar as coisas como estão. Muitas são as facetas do partido: quando falamos do PMDB do Simon ou do Rigotto (Sul), do Quércia, Garotinho e Cabral (Sudeste), ou do Sarney, Temer e Calheiros (Norte e Nordeste), estamos falando de diferentes peemedebês. No entanto, as decisões tendem a ser unânimes quando estão em jogo os interesses do partido.

O fisiologismo do PMDB

O fisiologismo não é uma particularidade apenas do PMDB; no entanto, é o partido em que mais transparece tal característica por buscar, de qualquer forma, a manutenção do poder, independente de quem esteja no poder. Entende-se o termo “fisiologismo” como a conduta ou prática de certos representantes e servidores públicos que visa à satisfação de interesses ou vantagens pessoais ou partidários, em detrimento do bem comum. Ou seja, o fisiologismo está muito próximo do clientelismo político que é um tipo de relação de poder em que as ações políticas e decisões são tomadas em troca de favores, favorecimentos e outros benefícios a interesses individuais. Esta realidade tão evidenciada no meio político peemedebista foi até denunciada pelo senador Jarbas Vasconcellos do próprio PMDB (PE). No entanto, a força política de Renan Calheiros e Sarney deram a resposta ao eleger Fernando Collor como presidente da Comissão de Infraestrutura, derrotando a senadora petista, Ideli Salvatti. Importante dizer que esta Comissão estará no centro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a peça-chave da campanha sucessória da ministra Dilma Rousseff. Quem diria Collor fazendo propaganda para o Governo Lula... Inimigos ontem, amigos hoje, é o fim dos tempos... Não acredito que as denúncias de Jarbas Vasconcellos surtirão efeito dentro do próprio PMDB e faça com que a sigla mude de postura. Afinal, como nos diz o Senador Valter Pereira (PMDB-MS) em discurso de defesa do seu partido “qual o partido que não esteve enredado em corrupção?... Em outras palavras, “se todos fazem, por que vamos deixar de fazer?” O PMDB também é conhecido como “partido ônibus” ou “Catch All” (cata tudo), não pune os dissidentes, nem corruptores, nem acusadores...

Ninguém governa a nível Federal sem a força do PMDB

Fisiologista ou não, o certo é que nenhum partido que chegue ao poder hoje, no Brasil, pode prescindir da participação do PMDB. Aliás, o partido está ali para isso mesmo. A vocação governista do PMDB vem de longa data. Desde a abertura democrática em 1985, com Sarney, bem como na expressiva vitória do partido em 1987, elegendo 21 governadores em todo o Brasil. O PMDB esteve no poder com Itamar Franco (que começou sua carreira política no antigo MDB, embora tivesse passado pelo PL e ingressado, mais tarde, no PRN, para ser vice de Collor de Mello em 1989), assumiu a presidência após o impeachment de Collor. Em seguida, o PMDB apoiou incondicionalmente o governo de FHC (nos dois mandatos) e, agora, ocupa um espaço privilegiado no governo Lula, tendo a administração de 6 ministérios. O PMDB volta a presidir os dois espaços políticos mais importantes do Brasil: a Câmara Federal com Michel Temer (SP) e o Senado com José Sarney (AP).

Perspectivas para as eleições 2010

Dependerá do momento político, o PMDB vai escolher qual o partido que estará mais fortalecido e qual partido tiver maior força popular: o PSDB ou o PT. Em outras palavras, acredito que, bem provável, em 2010, o PMDB nem venha a lançar candidato à presidência da República, ficará na cômoda posição de apoiar o novo presidente eleito. Claro, para isso, pleiteará os cargos que achar necessários para continuar onde sempre esteve, no poder.

 

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Edição e atualização: Dr. Dejalma Cremonese - dcremo@yahoo.com.br