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Data
da última Atualização:
10.03.2009 10:14
Um
partido de caciques e sede de poder - entrevista concedida ao Jornal
da Manhã, Ijuí 07-03-2009
O PMDB nacional demonstrou toda a sua força
ao eleger os presidentes da Câmara e Senado e dá as cartas
no cenário político de Brasília
Que o PMDB sempre foi um partido forte nacionalmente todos sabiam.
Mas, do início do ano pra cá, a sigla dá demonstrações
de poder a cada semana. A primeira foi dada ao vencer simultaneamente
as eleições para presidente da Câmara dos Deputados
e do Senado. Nesta semana, foi com a manobra do velho cacique Renan
Calheiros que possibilitou a vitória do petebista, Fernando
Collor, sobre a petista, Ideli Salvatti, na presidência da comissão
de Infraestrutura (CI) do Senado. Além disso, uma entrevista
do senador e um dos fundadores do PMDB, Jarbas Vasconcellos, denunciando
o fisiologismo do partido também escancarou a sede de poder
da sigla.
O cientista político, Dejalma Cremonese, explica essa vocação
governista do PMDB nacional de uma forma metafórica. Para ele,
a máxima política que diz “se hay gobierno soy
contra” pode ser facilmente invertida na ótica peemedebista
para “se hay gobierno soy a favor”, tal a vocação
governista (fisiológica) e adesista do partido.
Cremonese reconhece que o fisiologismo não é uma particularidade
apenas do PMDB. No entanto, “é o partido em que mais
transparece tal característica por buscar, de qualquer forma,
a manutenção do poder, independente de quem esteja no
poder”. O cientista explica que se entende o termo “fisiologismo”
como a conduta ou prática de certos representantes e servidores
públicos que visa à satisfação de interesses
ou vantagens pessoais ou partidários, em detrimento do bem
comum. “Ou seja, o fisiologismo está muito próximo
do clientelismo político que é um tipo de relação
de poder em que as ações políticas e decisões
são tomadas em troca de favores, favorecimentos e outros benefícios
a interesses individuais”, explica.
Indo mais fundo na análise do partido, pode-se dizer que no
espectro político, o PMDB se situa no campo ideológico
de centro, ou seja, procura manter o status quo (situação
vigente), fazendo “reformas” para deixar as coisas como
estão. O PMDB também é conhecido como “partido
ônibus” ou “Catch All” (cata tudo), não
pune os dissidentes, nem corruptores, nem acusadores...
“Muitas são as facetas do partido: quando falamos do
PMDB do Simon ou do Rigotto (Sul), do Quércia, Garotinho e
Cabral (Sudeste), ou do Sarney, Temer e Calheiros (Norte e Nordeste),
estamos falando de diferentes peemedebês. No entanto, as decisões
tendem a ser unânimes quando estão em jogo os interesses
do partido”, salienta Cremonese.
Sobre a eleição de Collor para a CI, o professor da
Unijuí atenta para o fato de que esta comissão estará
no centro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
a peça-chave da campanha sucessória da ministra Dilma
Rousseff. “Quem diria Collor fazendo propaganda para o Governo
Lula. Inimigos ontem, amigos hoje!”, analisa o cientista político.
Sobre as denúncias do de Jarbas Vasconcellos, Dejalma não
acredita que elas surtirão efeito dentro do próprio
PMDB e fazendo com que a sigla mude de postura. “Afinal, como
nos diz o Senador Valter Pereira (PMDB-MS) em discurso de defesa do
seu partido ‘qual o partido que não esteve enredado em
corrupção?’ Em outras palavras, ‘se todos
fazem, por que vamos deixar de fazer?’”, argumenta.
Mesmo com toda a força demonstrada nas últimas semanas,
Dejalma Cremonese afirma que ainda não dá para prever
qual será o caminho do PMDB nas próximas eleições.
“Dependerá do momento político, o PMDB vai escolher
qual o partido que estará mais fortalecido e qual partido tiver
maior força popular: o PSDB ou o PT. Em outras palavras, acredito
que, bem provável, em 2010, o PMDB nem venha a lançar
candidato à presidência da República, ficará
na cômoda posição de apoiar o novo presidente
eleito. Claro, para isso, pleiteará os cargos que achar necessários
para continuar onde sempre esteve, no poder”, finaliza.
O maior
partido do Brasil
Provindo do antigo
MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido de oposição
durante a ditadura militar (1964-1985), o PMDB é, nos nossos
dias, o maior partido brasileiro. Possui 96 deputados federais –
a maior bancada no Congresso Nacional, administra o maior número
de estados, no total de 8 governadores (SC, PR, MS, RJ, ES, TO, AM)
e 5 vice-governadores e, já chegou a governar 22 estados federados.
É a primeira força no Senado Federal com 19 senadores.
Possui 172 deputados estaduais, administra 6 prefeituras de capitais,
além de 1.201 prefeituras por todo o Brasil (em torno de 20%),
910 vice-prefeituras, 8.497 vereadores eleitos e conta com um milhão
e oitocentos mil filiados. Em 2008, eleições para prefeito
e vereador, foi o partido que mais votos recebeu em todo o Brasil,
forma nada menos do que 22.922.343 votos.
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