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Data da última Atualização: 10.03.2009 10:53

 

Mais Estado e menos mercado, "novo” velho ciclo da crise capitalista - artigo pubicado na Revista Mundo Jovem, 01-02-09


Desde as suas origens o capitalismo tem passado por constantes crises. Por vezes pregava-se o livre mercado (não-intervenção do Estado na economia), noutras ocasiões pedia-se a sua intervenção, vide a crise de 1929. Para salvar o sistema econômico da época, o Estado intervencionista, de inspiração keynesiana, foi acionado. Nos anos 70, no entanto, este modelo entrou novamente em crise. A partir daquela década, um novo ciclo se constitui: a volta do livre mercado (liberalização financeira) e da não-intervenção do Estado, sustentado a partir das teorias de Hayek e Friedman. Este modelo foi denominado de neoliberal.

A teoria neoliberal defendia a volta dos princípios do liberalismo clássico do século 18, do laissez-faire (livre mercado), além de reformas estruturais propostas por instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Fazia parte deste programa de reestruturação (ajustes), as reformas administrativa e previdenciária, que exigiram um rigoroso esforço de equilíbrio fiscal, além da redefinição do papel do Estado na economia (desregulamentação econômica). Por desregulamentação econômica entendia-se a tentativa de reduzir o tamanho do Estado, quebrar a coluna dos sindicatos, cortar os gastos sociais, liberar o mercado financeiro e abrir as comportas para o livre fluxo de bens e serviços.

Ao contrário do que seus defensores alardeavam, as políticas neoliberais trouxeram recessão econômica, ingresso do capital externo, desemprego, aumento do trabalho informal, conflitos sociais, flexibilização dos direitos trabalhistas, precariedade e, ao mesmo tempo, o desmonte dos sistemas de seguridade social, saúde e educação.
As práticas neoliberais não fracassam apenas nas questões sociais. Sustentado em bases um tanto frágeis, economia virtual e especulativa (capitalismo de cassino), o modelo neoliberal tem enfrentado, novamente, uma crise sem precedentes, uma das maiores do capitalismo em âmbito global dos últimos tempos. A crise atual decorre exatamente no mercado financeiro (defendido pelos liberais como o único guardião e salvador do mundo). O mercado financeiro fez empréstimos ruins, diz Stiglitz (ex-chefe do Banco Mundial), como no caso da bolha imobiliária norte-americana, quando foram feitos empréstimos com base em preços inflados. Estes empréstimos não podem ser pagos neste momento.

Agora, com a crise do livre mercado, o Estado é chamado a intervir novamente. É o pêndulo do relógio que, mais uma vez se movimenta, a sinalizar que mais um ciclo do capitalismo chega ao fim.


O epicentro da crise atual começou nos Estados Unidos da América, tendo a crise de confiança no sistema a razão principal. A origem está no deslocamento do capital produtivo para o capital especulativo: muita gente querendo ganhar manipulando dinheiro; uma embriaguez de enriquecimento sem trabalho. Vive-se especulando em qual bolsa de valores é possível aplicar e obter bons lucros. Outro aspecto diz respeito à busca escandalosa por recompensas econômicas excessivas até a especulação arriscada.

Na ótica neoliberal o impensável aconteceu: o Estado deixou de ser “invisível” para voltar a ser a “visível” (intervindo diretamente na economia). Em outras palavras, a intervenção do Estado tem sido a regra e não a exceção por muitas décadas. Em todo o mundo, desde o início da crise, já foram gastos bilhões de dólares para socorrer empresas falidas: antes, os lucros eram privatizados, agora, as despesas estão sendo socializadas.

Finalizando constatamos que a crise atual não é o colapso derradeiro do capitalismo, mas sim o fim de um ciclo sob a fachada neoliberal (articulação entre mercado, Estado e sociedade). Mais do que nunca o Estado se faz presente. Aliás, como sempre, o Estado cumpre sua função básica: a de manter o sistema funcionando.

 

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Edição e atualização: Dr. Dejalma Cremonese - dcremo@yahoo.com.br