Dejalma
Cremonese*

Turquia enterra mortos no ataque à
flotilha
O
ataque covarde de Israel em águas internacionais ao comboio humanitário
(Flotilha da Liberdade) que se dirigia a Gaza, na Palestina, com mais
de 750 ativistas de 50 nacionalidades diferentes (jornalistas, parlamentares,
ativistas dos Direitos Humanos, mães, médicos), chocou
o mundo na última semana. Fontes falam em 9 mortos (todos de
cidadania turca) e mais de 60 feridos. O comboio internacional era formado
por 6 navios (3 deles turcos) transportando 10 mil toneladas de ajuda
humanitária como remédios, cadeiras de rodas, comida,
materiais de construção para mais de 1,5 milhão
de palestinos que vivem cercados em Gaza.
Este fato nos faz questionar: O que levaria uma nação
que outrora sofrera atrocidades sob a perseguição nazista,
a incorrer no mesmo erro histórico de submeter outros povos às
mesmas atrocidades e genocídios?
O Estado judeu de Israel foi criado em 1948, depois de milhares de anos
em que aquele povo vagou pelo deserto, sofrendo perseguições,
de exílios a exílios até se configurar em um Estado
Nacional, segundo a determinação das Nações
Unidas. Desde a sua formação, no entanto, Israel tem violado
constantemente as resoluções internacionais sob a forma
de opressão ao povo palestino, bem como na ocupação
de suas terras (recusando o direito à independência e à
soberania daquele povo). As ações de ilegalidade por parte
de Israel, entretanto, são legitimadas pelo imperialismo norte-americano
(há muito tempo Israel é o aliado estratégico da
Casa Branca no Oriente Médio). Esta parceria conta com apoio
diplomático, financeiro e militar dos norte-americanos. Sobre
o referido ataque, a diplomacia americana e o presidente Barack Obama
apenas estão exigindo explicações do governo de
Israel pelo incidente e dizem “lamentar” os mortos. Considero
que a manifestação do presidente norte-americano seja
insuficiente para alguém que acabou de receber o prêmio
Nobel da Paz: Obama, ou denuncie ou devolva o prêmio.
A truculência das autoridades israelenses já havia sido
colocada à prova quando, há poucas semanas, havia barrado
a entrada de Noam Chomsky (professor emérito do Massachusetts
Institute of Technology – MIT), um dos principais intelectuais
vivos da atualidade, quando este se deslocava à Cisjordânia
para uma conferência. As autoridades alegaram que Chomsky não
era bem-vindo ao país por sua posição quanto ao
governo de Israel. Chomsky é conhecido mundialmente não
apenas pela teoria inovadora da linguística, mas por sua trajetória
de oposição à política intervencionista
americana, além de ser um ferrenho crítico de Israel por
este ocupar territórios palestinos.
Por fim, é preciso convocar todas as pessoas de todos os lugares
do mundo a expressar sua indignação diante do ataque covarde
de Israel e prestar solidariedade a todo o povo palestino do mundo.
*
Professor do Instituto de Sociologia e Política da Ufpel –
RS (Brasil). Site: <www.capitalsocialsul.com.br> Twitter: @cremonese68.
E-mail: dcremo@hotmail.com