NÓS
– OS IJUIENSES: QUEM SOMOS E O QUE PENSAMOS (Parte I)
Dr.
Dejalma Cremonese – Cientista Político
Prof. do Depto. de Ciências Sociais e do
Mestrado em Desenvolvimento da Unijuí
Site: www.capitalsocialsul.com.br
E-mail: dcre@unijui.edu.br
Ao comemorar
o 117º aniversário da fundação de Ijuí,
nada melhor do que apresentar algumas informações
de quem é, e o que pensa o ijuiense. Os dados e os comentários
desta reportagem só foram possíveis graças
à análise dos resultados de uma pesquisa de opinião
(survey), realizada entre maio/agosto de 2005 com 400 pessoas de
11 bairros da cidade, acima de 16 anos. Em alguns resultados, foi
possível fazer uma comparação longitudinal
com uma pesquisa aplicada no município de Ijuí no
ano de 1968.
Esta reportagem
está dividida em três partes. A primeira trata do perfil
dos ijuienses (educação, renda, problemas sociais,
satisfação, predominância étnica e religiosa).
Ainda trabalhando com os dados empíricos, a segunda parte
irá tratar da percepção política (avaliação
dos serviços de Ijuí, a eficiência do Estado
na aplicação dos recursos, a satisfação
com o funcionamento da democracia, a identificação
com partidos políticos e o modo como o ijuiense vota); na
terceira parte, serão apresentadas algumas variáveis
do capital social da sociedade ijuiense .
O perfil
do ijuiense
A questão
da educação (evolução)
O plano amostral
da pesquisa atingiu uma população composta de 47%
de homens e 53% de mulheres. Do total dos entrevistados, a pesquisa
mostrou que 60,8% cursaram o ensino fundamental (completo ou incompleto),
23% o nível médio (completo ou incompleto) e 14,3%
estão cursando ou concluíram o curso superior. Quanto
ao nível de educação dos ijuienses, a comparação
entre os resultados das pesquisas (1968-2005) constata que tem melhorado
significativamente em todos os níveis, principalmente, com
um menor percentual entre os analfabetos e os que não concluíram
o Ensino Fundamental.
A pesquisa monstrou
também um crescimento de 9,6 pontos percentuais entre as
pessoas que concluíram o nível superior entre 1968
e 2005. Ou seja, um aumento de mais de 300% na população
que está cursando ou já cursou o nível superior.
A situação econômica do ijuiense
No que se refere
à renda per capita mensal, percebe-se que a maioria da população
de Ijuí tem uma baixa renda: 50% da população
ganham de R$ 33 a R$ 300, enquanto que 41,6% ganham de R$ 301 a
R$ 800. Os que ganham acima de 1000 reais totalizam apenas 3,5%
da população ijuiense.
Considerando
os dados referentes à renda dos habitantes de Ijuí
a partir da faixa per capita por salário mínimo, percebe-se
que mais da metade da população de Ijuí sobrevive
com até um salário mínimo mensal; 43,5% ganha
até 3 salários, menos de 3% da população
ganha até 5 salário mínimos e, uma minoria,
1,9% ganha mais de 5 salário mínimos.
Perguntou-se
ainda se, no final do mês, as pessoas conseguiam poupar algum
dinheiro; a resposta, porém, confirma os dados do baixo poder
aquisitivo da população. A maioria (54,1%) dos entrevistados
respondeu que “não consegue poupar nenhum dinheiro”.
30,8% responderam “às vezes” e apenas 12,3% admitiram
que conseguem poupar algum dinheiro no final do mês. Em relação
à classe social, a maioria dos entrevistados (55,9%) respondeu
que pertence à classe média e 41,8% afirmaram pertencer
à classe baixa. Coerentemente com o dado anterior (renda
per capita), a população de Ijuí não
mencionou em nenhum momento pertencer à classe alta. Em comparação
com os dados de 1968, os de 2005 apresentam-se um pouco mais otimistas
em relação à classe que pertence: em 1968,
o percentual de entrevistados que se dizia de classe média
era de 43,4% e aqueles que diziam pertencer à classe pobre
era de 54,5%. Segundo os dados atuais, nos últimos anos tem
diminuído o percentual de pobres e aumentado o percentual
de classe média.
Quanto à
situação profissional dos moradores de Ijuí,
31,8% responderam que são empregados assalariados; 17% afirmaram
ser autônomos; 15,8% são aposentados; 10,5% responderam
estar desempregados; 9,8% afirmaram ser estudantes e 7,8%, que são
donas de casa. A tendência é de que o número
de desempregados possa ser maior, pois algumas pessoas que responderam
trabalhar por conta própria, muitas vezes, apenas sobrevivem
de biscates, serviço temporário ou atividades informais.
Problemas sociais
e econômicos foram os mais mencionados pela população
quando questionada sobre o principal problema do Brasil na atualidade:
31,0% responderam que o desemprego é o pior problema; seguido
pela corrupção, 13,5%. A fome e a miséria vêm
com 9,5% e a educação deficiente com 4,3% dos entrevistados.
Outros problemas também foram citados pelos entrevistados.
Uma das evidências
desse quadro é de que a percepção do ijuiense
frente à situação econômica e social
do país é altamente negativa. Mais de 60% dos entrevistados
levantaram problemas de dimensões sociais, que incidem iretamente
na qualidade de vida dos cidadãos.
Percepção
pessoal: satisfação, realização e felicidade
No que se refere
à percepção pessoal do entrevistado frente
às oportunidades intergeracionais, grau de satisfação,
realização e felicidade, os dados da pesquisa monstram
que a maioria dos ijuienses (73,3%) acha que as oportunidades de
hoje são melhores em relação à geração
de seus pais e, ainda, que as oportunidades da geração
das crianças de hoje, comparadas com as de sua geração,
também são melhores (64%).
Considerando
que a satisfação e a felicidade são manifestações
de uma comunidade cívica, perguntou-se também se os
ijuienses sentiam-se felizes, satisfeitos, confiantes e realizados.
No entanto, os resultados tendem a apontar para dados preocupantes
em relação à insatisfação, insegurança
e frustração: 64% dos entrevistados responderam que
se sentem felizes e 17% responderam que se sentem infelizes. Quanto
à satisfação, 54,5% responderam que se sentem
satisfeitos contra 31% de insatisfeitos. O percentual diminuiu quando
os entrevistados foram perguntados se se sentem realizados, 44,3%
responderam que sim, enquanto que o grau de frustração
é de 31,8%. Sobre a questão da confiança e
insegurança, os percentuais são quase iguais. 45,8%
dizem-se confiantes, enquanto 43,5% responderam estar inseguros
na sociedade atual.
Predominância
étnica e religiosa
Sabemos historicamente
que o município de Ijuí foi marcado imensamente no
seu processo de colonização pela diversidade étnico-cultural.
Notou-se, em Ijuí, desde o princípio, o grande número
de imigrantes europeus que garantiu predomínio numérico
de pessoas brancas sobre as demais. No entanto, com o passar dos
anos, a etnia branca tem diminuído no município e
aumentado o percentual de morenos, pardos e mestiços. Dados
da pesquisa feita por Trindade (1968) apontavam para um percentual
de 84,7% que afirmavam ser da etnia branca; 4,1% se diziam da etnia
negra e apenas 8,4% afirmavam ser morena, parda ou mestiça.
Dados da pesquisa de 2005 apontam para um percentual de 80,0% da
população que dizem ser branca; 4,3% dizem ser negra
e, 15,1% afirmaram ser morena, parda ou mestiça.
A religião
predominante em Ijuí ainda é a Católica, com
61% da população, embora tenha declinado em torno
de 11 pontos percentuais o número de seus fiéis nas
últimas décadas. Os protestantes (evangélicos
tradicionais), com apenas 5,8%, também declinaram em torno
de 11 pontos percentuais. O interessante é que na pesquisa
2005 aparece o percentual de evangélicos (pentecostais),
com 23%, exatamente os mesmos percentuais que os católicos
e os evangélicos tradicionais perderam desde a última
pesquisa, em 1968. Isso significa uma migração quase
exata do percentual de fiéis que deixaram a religião
Católica e os protestantes tradicionais para integrar as
novas religiões dos pentecostais.
Em relação
ao estado civil dos ijuienses, o maior percentual é o de
casados: 52,0%. 34,0% responderam ser solteiros; 6,8% são
viúvos; 4% separados e 2% “ajuntados”. Nota-se
que o percentual de solteiros (34,0%) pode ser menor, pois, muitas
vezes, casais convivem em união estável, mas, identificam-se
como solteiros.
Para
concluir, percebe-se que os resultados colhidos pela pesquisa, demonstram
que existe uma melhora significativa nos níveis de escolaridade
do ijuiense. No entanto, estes indicadores positivos da educação,
não têm revertido em uma melhora na renda do cidadão.
Mais de 90% do ijuiense ganha até 3 salários mínimos,
índice considerado baixo para satisfazer as necessidades
básicas de uma pessoa. Os baixos percentuais dos níveis
de renda refletem nas principais dificuldades enfrentadas pelos
entrevistados. 31% apontaram o desemprego como principal problema
do Brasil. Estes dados podem estar ligados aos altos índices
de insatisfação, frustração e insegurança
apontadas pela pesquisa. A etnia branca continua sendo a preponderante,
embora aqueles que se autodenominam moreno/pardos/mestiços
tenha aumentado nas últimas décadas. Da mesma forma,
os católicos continuam sendo a maioria. Porém, nota-se
o decréscimo do catolicismo e, ainda mais acentuado o decréscimo
dos evangélicos tradicionais em comparação
com o crescimento vertiginoso dos evangélicos pentecostais.
NÓS
– OS IJUIENSES: QUEM SOMOS E O QUE PENSAMOS (Parte II)
A percepção
política do ijuiense
Hoje apresentamos
informações relativas à percepção
do ijuiense frente à política. Foram avaliados os
serviços de Ijuí, a eficiência do Estado na
aplicação dos recursos, a satisfação
com o funcionamento da democracia, a identificação
com partidos políticos e a tendência do voto do eleitor
local.
A avaliação
dos serviços em Ijuí
Perguntados
sobre a avaliação da qualidade dos serviços
em Ijuí, o resultado foi o seguinte: os serviços de
melhor qualidade (com uma avaliação boa) oferecidos
em Ijuí foram o transporte (66%), a educação
(63,8%) e a telefonia (55,3%), seguidos pelos serviços de
esporte, lazer e cultura (50,3%), saúde (46,5%) e habitação
(36,5%) avaliados com uma qualidade intermediária. Os piores
serviços avaliados em Ijuí foram o saneamento (34%)
e a segurança com (24,8%).
Os serviços
melhor avaliados foram o transporte e educação. No
que diz respeito ao transporte, Ijuí conta com os serviços
da Empresa Medianeira de Transporte, considerada uma das dez melhores
empresas do país, segundo a Associação Nacional
de Transportes Públicos - ANTP. Da mesma forma, Ijuí
conta com uma das melhores estruturas educacionais da região,
com dezenas de escolas da rede pública de Ensino (Municipal
e Estadual), além de importantes escolas particulares (Colégio
Evangélico Augusto Pestana - CEAP, Escola Sagrado Coração
de Jesus e Centro de Educação Básica Francisco
de Assis – EFA) e UNIJUÍ – Universidade Regional
do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.
Ineficiência
do Estado e a questão da democracia
A classe política
é vista pela maioria do ijuiense com desconfiança,
assim como o Estado tem-se mostrado pouco eficiente na aplicação
de seus recursos. Ante a afirmação de que “O
Estado é eficiente na aplicação dos recursos
públicos”, a maioria dos ijuiense, 46,8%, discordou
da mesma, 39,5% concordaram em parte e apenas 11,3% concordaram
totalmente. Isso significa que, para a maioria, o Estado aplica
mal os recursos públicos. Além de aplicar mal, a qualidade
dos serviços prestados pelo Estado é de baixa qualidade:
49,1% da população de Ijuí consideram ruim
ou péssimo seus serviços. Somado a isso, 67,8% afirmaram
pagar um valor muito alto em impostos pelos serviços prestados.
Da mesma forma, é grande a insatisfação do
ijuiense em relação à atuação
dos governos municipal, estadual e federal. As três instâncias
do Executivo receberam uma baixa avaliação positiva
(muito bom e bom): Presidente 25,9%, Governador 16,8 e Prefeito
32,6%.
Tabela 2 – Avaliação dos governantes pelos ijuienses
2005 (%)
Tal insatisfação
e ineficiência refletem-se nos baixos índices de confiança
da população nas instituições políticas,
inclusive seis variáveis ficando abaixo da linha dos 10%
de confiança recebidos pela população.
Quanto à
afirmação de que “Todos os políticos
são corruptos”, a maioria dos ijuienses (77,8%) concordou
em parte ou totalmente e apenas 21,5% discordaram da sentença.
Tais percentuais demonstram que, para o eleitor, a corrupção
ainda é um dos maiores males que atingem a classe política.
Quanto às promessas dos políticos, a maioria concorda
com a idéia de que eles apenas as fazem (52,8%), mas depois
não as cumprem.
Os dados demonstram,
ainda, que o ijuiense está pouco satisfeito com o funcionamento
da democracia no Brasil. O percentual de insatisfação
e pouca satisfação alcançam 82,5% contra apenas
14,0% que afirmam estar satisfeitos.
Identificação
com partidos políticos
Segundo a pesquisa,
32,5% dos ijuienses identificam-se com um determinado partido político,
enquanto 67,5% não se identificam com partido algum. Perguntados
também com qual partido o entrevistado mais se identificava,
o resultado foi: 15,5%, o maior percentual, é de pessoas
que se identificam com o PT, seguidos de 9,8% com o PDT, 2,8% com
o PMDB e 1,5% com o PP. Os demais partidos não ultrapassam
a 0,3%. Estes dados demonstram que o eleitor petista identifica-se
bem mais com o seu partido do que os eleitores de outros partidos,
ou seja, o eleitorado petista, mesmo sendo menos de um quarto do
eleitorado do município, assume bem mais o partido do que
outros eleitores.
Como o eleitor
ijuiense vota?
A maioria dos
ijuienses (68,8%) considera importante votar nas eleições
para mudar as coisas, o que significa, sem dúvida, uma disposição
cívica. No entanto, 26,3% votam nas eleições
somente porque é obrigatório. Caso o voto fosse facultativo,
o percentual de pessoas que não votaria subiria para 34,3%.
Infelizmente, o ato de votar não é visto como um gesto
cívico (votar e ser votado - associar-se), mas, apenas como
um dever, uma obrigação. Percebe-se igualmente que,
quanto maior o grau de instrução das pessoas, mais
o ato de votar acaba sendo importante para mudar as coisas. É
também nos mais baixos níveis de escolaridade que
se encontram os maiores percentuais dos que votam apenas porque
é obrigatório e, porém, geralmente não
votam.
O voto do ijuiense,
segundo a pesquisa, tende a ser personalista: 80% votam na pessoa
do candidato e apenas 10,3% seguem a ideologia do partido. No entanto,
em Ijuí, nota-se que, além do personalismo, há,
igualmente, uma predileção dos eleitores em votar
nos candidatos trabalhistas nas eleições municipais,
basta ver a hegemonia do PDT nos últimos 25 anos .
Sobre o clientelismo,
perguntou-se ao entrevistado o que faria caso um candidato oferecesse
dinheiro ou uma cesta básica em troca do voto; 7,8% dos entrevistados
responderam que aceitariam e votariam no candidato, enquanto que
53,8% não aceitariam trocar o seu voto e 30,8% dariam um
passo cívico a mais, não aceitariam a oferta e denunciariam
aos órgãos competentes.
Variáveis
referentes ao capital social de Ijuí
Esta última
parte apresenta algumas percepções do ijuiense ligadas
a variáveis do capital social como: participação
em grupos sociais e instituições políticas
de ordem convencional e não-convencional, confiança
nas instituições e entre vizinhos, informação,
discussão e interesse por política.
Participação
em grupos ou organizações sociais
Perguntados
se participavam de algum grupo ou organização, apenas
32,5% dos ijuienses responderam que sim, enquanto que 67,0% responderam
não. A associação religiosa (igreja e grupo
de jovens) é a que apresenta maior participação
(12,5%), seguida pela associação cultural e recreativa
(8,3%), os círculos de pais e mestres (2,3%) e as associações
políticas e sindicais (2,0%). Quanto aos motivos da não-participação,
foram atribuídos unicamente a razões pessoais, principalmente
à falta de tempo. Não foi por falta de interesse próprio,
nem mesmo por falta de credibilidade das instituições
ou que a instituição não lhe trouxesse benefícios,
ou seja, as pessoas estariam predispostas a participar mais, caso
não fossem as inúmeras atividades em que estão
envolvidas no dia-a-dia.
Ajuda e confiança
nos vizinhos
Perguntados
se podem contar com os vizinhos para cuidar da sua casa e/ou de
seus filhos caso precisassem viajar por um ou dois dias, 64,0% responderam
que podem contar com os vizinhos, embora um percentual de 19,0%
tenha respondido que “provavelmente” e 16,5%, que não.
No entanto,
se um bom percentual dos entrevistados respondeu que poderia contar
com os vizinhos caso necessitasse, os dados seguintes apontam para
uma baixa confiança entre os mesmos. Perguntou-se sobre a
confiança nos vizinhos, e o resultado da pesquisa revelou
que, para 43% dos entrevistados, são confiáveis. No
entanto, o percentual de pouca confiança e não-confiança
foram maiores, 55,8% dos entrevistados responderam que têm
pouca confiança ou não confiam nos vizinhos. Mais
especificamente ainda, perguntou-se se, em uma situação
de emergência (doença ou desemprego), poderia contar
com a ajuda dos mesmos, e apenas 9,0% dos entrevistados responderam
que sim.
A falta de confiança
também é uma realidade para o ijuiense em relação
aos moradores do bairro em que vivem. Perguntados se podem confiar
nas pessoas que moram no bairro, apenas 23,3% responderam que sim,
enquanto que 42% responderam às vezes e 30,3% responderam
que nunca se pode confiar. O bairro também é um lugar
em que as pessoas podem tiram proveito umas das outras. Perguntou-se
se no bairro era preciso estar atento, pois alguém poderia
querer tirar vantagens de si. A maioria (45,5%) respondeu que sim,
31,3% que às vezes e apenas 19,3% responderam nunca. A confiança
nas pessoas do bairro é ainda menor quando se refere ao empréstimo
de dinheiro. Perguntados se as pessoas do bairro em geral não
confiam uma nas outras para emprestar dinheiro, a maioria (47,3%)
concordou com a afirmação respondendo sim, 21,3% discordou
respondendo nunca e 24% responderam às vezes.
Participação
política
A maioria dos
ijuienses concorda que a participação na política
pode contribuir para melhorar a situação do país,
66% responderam que a consideram importante para resolver os problemas
do país, mesmo que esta fique, muitas vezes, apenas na predisposição.
Perguntados se acham, igualmente, que a colaboração
interpessoal pode contribuir para melhorar a situação
do país, 76,3% responderam que sim. Da mesma forma, a maioria
(94,2%) estaria disposta a contribuir para um projeto da comunidade,
mesmo que este beneficiasse a outras pessoas e não a si diretamente.
No entanto, quando perguntados se, nos últimos anos, as pessoas
tentaram resolver algum problema local do bairro/comunidade junto
com outras pessoas, apenas 32,8% responderam sim, enquanto 65,8%
responderam não. Isso demonstra que as pessoas até
concordam que a colaboração interpessoal possa transformar
a realidade; porém, a atuação e a participação
efetiva das mesmas na resolução dos problemas locais
e nas instituições sociais são baixas.
Divideu-se
ainda a participação em três formas distintas:
a) política convencional, b) não-convencional e c)
comunitária. Na forma convencional, a participação
nos comícios aparece com os melhores índices, 40,1%
afirmaram que participam ou já participaram, enquanto 59,5
afirmaram que não. No que se refere à participação
em reuniões políticas, 24,3% afirmaram que participam
ou já participaram contra 75,5% que não. Quanto à
participação nos partidos políticos, 18,3%
afirmaram que participam ou já participaram, contra 81,5%
disseram não participar.
Quanto à
participação não-convencional, 51,3% afirmaram
que assinam ou já assinaram abaixo-assinados e 48,5% não;
26,5% responderam que já fizeram ou fazem manifestações
e protesto, contra 72,8% que não se manifestam e nem protestam;
18,3% são favoráveis à greve ou já a
fizeram, contra 81% são contrários a elas; e apenas
3,8% afirmaram que ocupam ou já ocuparam terrenos ou prédios
públicos, enquanto 95,5% afirmaram que não.
Os percentuais
são um pouco mais elevados quando é referida a participação
comunitária: 68,3% responderam que participam ou já
participaram de associações religiosas; 30,1% participam
ou já participaram de associações comunitárias;
da mesma forma, do Orçamento Participativo (quando existiu),
30,1% afirmaram ter participado contra 69,3% que não: 19,5%
responderam que participam ou já participaram em associações
sindicais; 17,5% que participam ou já participaram dos conselhos
populares, contra 81,8% que não. Por fim, apenas 9,1% participam
ou já participaram de ONG`s.
Constata-se
que o maior percentual de participação da população
de Ijuí dá-se na esfera social-comunitária,
com uma média de 31,8% (Igreja, Associação
comunitária, Associação sindical e ONGs). O
segundo percentual de participação dá-se na
esfera convencional, com uma média de 26,6% (partidos políticos,
conselhos, Orçamento Participativo). Por último, com
uma média de 25%, dá-se a participação
na esfera não-convencional (greves, ocupação
de terrenos, manifestações), o que exige um comprometimento
e um envolvimento bem maiores das pessoas.
Os resultados
da pesquisa 2005 em relação à pesquisa feita
em 1968 ratificam que o cidadão ijuiense, além de
participar mais assiduamente das instituições comunitárias,
acredita que os meios não-políticos podem solucionar
com maior eficiência os problemas locais.
Vê-se
mais claramente esta preferência pelos meios não-políticos
na solução dos problemas locais, quando agruparam-se
as respostas em duas grandes categorias. Os meios políticos
(convencional) somam 29,7%, enquanto que os meios não-políticos
(associativo e comunitário) somam 48,0%.
Confiança
interpessoal e nas instituições sociais
confiança
nas pessoas e nas instituições é um indicador
de cidadania e de espírito comunitário. No entanto,
em Ijuí, o percentual de desconfiança entre as pessoas
é preocupante: nada menos que 71,5% responderam que não
se pode confiar nas pessoas, enquanto apenas 27% que sim. O percentual
de confiança mútua da população ijuiense
é superior à dos brasileiros, que fica em torno de
60% (CARVALHO, 2000). A confiança mútua seria a indicação
do reconhecimento de que todos participam de valores e objetivos
comuns em torno dos quais todos se congregam.
As questões
referentes à confiança foram estendidas a instituições
sociais e políticas. Os entrevistados foram perguntados se
nelas confiavam muito, pouco ou não. O resultado demonstrou
que o alto índice de confiança (confiam muito) deu-se
em apenas duas instituições: família (90%)
e Igreja (60,8%). Por outro lado, as instituições
políticas foram as que apresentaram o maior percentual de
pouca confiança e não-confiança: Governo Municipal
(85,5%), Governo Federal (89%), Governo Estadual (92,5%), Câmara
Municipal (93,8%), Assembléia Legislativa (94,6%), Partidos
Políticos (94,8%) e Congresso Nacional (97,8%). Outras instituições
sociais apresentaram elevados índices de pouca confiança
e não-confiança, como foi o caso dos Meios de Comunicação
Sociais (74,3%), Associações comunitárias (70,3%),
Judiciário (71,6%), Sindicatos (75,3%) e Polícia (78,5%).
Percebe-se a confiança existe apenas dentro do mundo religioso
e das relações primárias, não no mundo
civil e político.
Informação,
discussão e interesse por política convencional
Embora os ijuienses
tenham um bom percentual de informação política
(59%), o bom índice não é o mesmo quando perguntados
se os mesmos se interessam por política. 37,3% dizem “não”
se interessar, 36,5% se interessam “mais ou menos” e
apenas 26,0% que sim. Quanto à discussão sobre assuntos
políticos, o percentual do “às vezes”
discute política é de 65% das pessoas contra 18,5%
que “sempre” e 16,5% “nunca”. O “às
vezes” discute política também é alto
no bate-papo entre amigos: 60% responderam que “às
vezes”, 15,8% “sempre” e 23,8% “nunca”.
Porém, quando perguntados se discutem os problemas do país
com os amigos, o percentual é mais positivo: 38% afirmam
discuti-los “regularmente”, seguidos por 52% que afirmam
discuti-los “às vezes” e apenas 9,7% afirmam
“nunca” discuti-los.
Avalia-se, igualmente,
o perfil das pessoas que se mantêm informadas sobre assuntos
políticos e se interessam por política, de acordo
com a variável escolaridade. Os dados comprovam que, quanto
maior a instrução das pessoas, maior é a informação
sobre assuntos políticos.
Da mesma forma,
quanto maior o nível de instrução das pessoas,
maior é o interesse por política.
Por fim, nota-se
que o ijuiense tem uma maior participação apenas em
associações comunitárias (Igreja, associações
culturais e recreativas) e uma baixa participação
em associações sindicais e políticas (partidos
e reuniões políticas, comícios, abaixo-assinados,
manifestações ou protestos). O ijuiense considera
importante a participação política, no entanto,
participa pouco na resolução dos problemas locais.
Quanto à confiança interpessoal e nas instituições,
percebe-se que o ijuiense confia muito pouco. Apenas 30% dos entrevistados
acham que se pode confiar nas pessoas. Da mesma forma, a desconfiança
nas instituições políticas alcança índices
elevados.
Se a comunidade
ijuiense pretende retomar o caminho do desenvolvimento, aliado com
o êxito social e econômico de forma equânime,
é fundamental, regatar e incrementar os valores intangíveis
do capital social (cooperação, confiança, participação).
O capital social não é uma panacéia, é
apenas um ingrediente que pode contribuir para alcançar este
fim.